Viva a Liberdade!

 

Nasci servo de uma pátria longínqua
Perdida em tacanhos ideais,
Que este clima ofegante tarda em apagar…

Sou um herdeiro do medo, da fome, da guerra…
E aqui estou, neste ardor arquejante, em silêncio,
Sempre em silêncio…

Estou só… esquecido.
Esquecido por muitos, mas aqui, firme.
Em redor, o mutismo gélido surdido não me quebra.
Jamais!
É abril! É hoje!

Galgo a trincheira e solto o bramido estridente da manumissão

Este hoje já está tão longe…
Mas se tão caloroso e belo foi esse dia,
Ainda hoje evoco, sem saudade, o retumbante torpedear do medo.
Porque não posso!

Nunca esquecerei aquela serena aurora!
Foi em Abril que nasci!
Foi em Abril que gritei bem alto:

Viva a Liberdade!

 

Orlando Jorge Rodrigues
Nazaré, 23 de abril de 2020
 

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