O Estudo sobre o Poder de Compra no Concelho

Em Novembro de 2009, o Instituto Nacional de Estatística (www.ine.pt) publicou o Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2007. Nove meses depois, este estudo tornou-se notícia na comunicação social local suscitando até da parte da autarquia a grandiosa satisfação de que “os esforços que são feitos diariamente na Câmara com a aprovação de propostas e projectos estão a produzir efeitos”.

 
Ora a Nazaré aparece neste ranking com dados de 2007 em 4º lugar do Distrito e 65º a nível nacional, subindo ligeiramente relativamente aos dados de 2005.
 
É esta a razão para festa e foguetes? 
 
O mais importante, na nossa opinião, é que a Nazaré se encontra abaixo do poder de compra nacional, sendo essa a principal conclusão a retirar deste estudo. 
 
Se ponderarmos a vertente do poder de compra gerado por receitas turísticas, então a descida do dinamismo do concelho é bem visível. A crise internacional, razão segundo Jorge Barroso para muitos dos problemas da Nazaré, ainda nem sequer tinha chegado.
 
Seria curioso adicionar a este estudo o desemprego no concelho e a saída de munícipes nazarenos, jovens quadros e outros trabalhadores dos vários ramos,  para trabalhar noutros concelhos. 
 
Será que, com tão só estes dois factores adicionais, o descaramento político da afirmação de que” tudo vai bem”/”tudo está bem” no concelho, se manteria?
 
Esta pequena subida de poder de compra tem uma razão bem clara: o esforço individual dos munícipes, dos empresários, dos trabalhadores e de todos os que vivem no concelho e que diariamente lutam por melhores condições económicas e maior poder de compra.
 
Os executivos dos PSD dos últimos 17 anos não foram capazes de alavancar a economia do concelho, não foram capazes de gerar mais-valias para as pessoas, nunca foram capazes de implementar estratégias para cativar capitais e investimentos que tragam mais qualidade de vida e poder de compra aos munícipes do concelho. Várias são as evidências disso:
  • Não houve capacidade de atrair empresas, ainda que exista em construção uma Área de Localização Empresarial que sofreu atrasos e mais atrasos e veremos quando será concluída
  • O turismo, actividade principal do concelho, vive há muitos anos dos esforços dos empresários hoteleiros, da restauração, do comércio, não havendo capacidade do executivo municipal de gerar eventos que atraiam consumidores ao concelho, por muito que alguns afirmem que a dinâmica da Nazaré é caso para estudo.
A Nazaré deve estar acima do poder de compra nacional e para isso é fundamental um maior dinamismo da economia concelhia.
 
No que ao Turismo diz respeito, a Nazaré deve  diversificar a sua oferta turística, atraindo outro tipo de visitante que deseje mais do que o Sol e Mar com que a Natureza nos abençoou. 
 
Há que apostar na requalificação do espaço turístico, na criação e divulgação de roteiros culturais, na utilização do grande património de que o concelho dispõe e não aproveita, há que recuperar o património que disso necessita (a Igreja de S. Gião é disso um exemplo que se arrasta no tempo), há que dar um maior destaque ao Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, ao Ascensor, aos Museus, à Capela da Memória, aos Santuários, ao Forte S. Miguel (Farol), ao Caminho Real da Pederneira, entre muitos outros pontos de inegável interesse turístico e cultural.
 
Por último, e sabendo que há muito por fazer, devemos virar o turismo para o Mar. É lá que está o futuro. Onde pára o Festival do Carapau Seco? Porquê o desaproveitamento turístico da Praia do Norte e da Praia dos Salgados?
 
Através de parcerias com Universidades, façamos um estudo aprofundado do Canhão da Nazaré, façamos provas desportivas (natação, motonáutica, triatlo, etc.), revitalizemos o Porto de Abrigo.
 
Embora medidas simples, elas atraem diferentes públicos turísticos que farão da Nazaré uma terra de Turismo o ano inteiro. Façamo-lo pelos nossos filhos ja que a situação financeira da autarquia e a acção dos executivos PSD dos últimos 17 anos a isso obriga.
 
Walter Chicharro

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