De dívida em dívida: A nova face pública do PSD da Nazaré

A necessidade de rigor e transparência na gestão da Câmara Municipal da Nazaré é uma bandeira que o Partido Socialista empunha repetidamente no Município. Não o faz por teimosia, não o faz por oposição, fá-lo porque enquanto força política com responsabilidades e responsável, compreende que sem o conhecimento público da real situação económica/financeira da nossa terra, será impossível apresentar medidas correctivas alternativas às do Partido Social Democrata, cujos frutos são públicos a cada dia que passa.

Depois da inqualificável retenção dos descontos dos trabalhadores à Caixa Geral de Aposentações, incumprimento saldado com o empréstimo que já é público e que motivou, pasme-se, em assembleia municipal a declaração de congratulação pelo grupo parlamentar da maioria,”a decisão do executivo de encontrar soluções do ponto de vista financeiro e com alguma criatividade”, na prática o PSD congratula-se com a engenharia financeira para “tapar” uma ilegalidade, foram as forças políticas surpreendidas esta semana com uma carta aberta do Centro Social da Freguesia de Famalicão (CSFF).
 
Na carta a instituição revela as dificuldades que passa “estando na eminência do colapso financeiro”, torna público o montante da dívida, “cento e vinte e oito mil, novecentos e vinte sete euros e noventa e sete cêntimos, acumulado desde Fevereiro de 2009, e alerta para a morosidade da resolução, “A direcção do CSFF, ao longo destes 21 meses, tem tentado encontrar soluções para a resolução desta situação, em conjunto com a Câmara, não tendo nenhuma das soluções sido viabilizada”.
 
O Partido Socialista na Nazaré, força política em minoria na Assembleia Municipal e sem representação no Executivo, agiu com a celeridade que a situação impunha. Contactou o governo central e procurou saber de como agir junto da segurança social. Ao mesmo tempo, como se impõe a uma força política na oposição, denunciou em comunicado mais uma irregularidade, mais um incumprimento do Presidente de Câmara. No jantar de solidariedade que a Instituição organizou, o PS disse presente na Pessoa do Presidente da Comissão Política e de alguns militantes que se associaram de forma espontânea, ao invés, do Presidente do executivo nem sinal, foi substituído pelo inevitável Presidente de Junta, Abílio Romão. 
 
Até aqui nada de novo, nada não espectável pensam os leitores, e bem. A surpresa veio das palavras proferidas aos microfones da Rádio Nazaré pelo nosso Edil. À luz do que argumentou o Presidente da Câmara ficámos a conhecer um político manipulador das palavras, calculista, e esperemos que não, perseguidor.
 
Manipulador porque na Rádio o Eng. Jorge Barroso atribui um eventual fracasso da negociação com a banca ao comunicado do PS, revelando a fragilidade do CSFF. Ora esta situação é pública numa carta aberta, esta fragilidade tem uma origem bem identificada, também ela é referida na carta, o que na prática significa que estamos a ouvir mais uma ilusão, mais um “sacudir de culpas” para o lado. O PSD local assume o protocolo, não paga, causa dificuldades e a culpa é dos outros. Mal está o Centro que procura soluções para o problema, mal está o PS que faz públicos os anseios da comunidade, bem está o Presidente da Câmara que não paga, e que não responde desde Setembro à solicitação da instituição para a marcação de uma reunião. 
 
Calculista porque foi também dito que apesar de um bom serviço prestado pelo CSFF, este tem custos acrescidos e já equacionava, tendo já instruído os serviços nesse sentido, estudar a hipótese de ser a Câmara a fornecer as refeições às crianças. Quando pensava o Presidente da Câmara revelar esta informação à direcção do centro, aos trabalhadores?  O CSFF deixou de ser um parceiro social que substitui a autarquia num serviço de carácter social e de proximidade às populações e passou a ser, de repente, porque necessita das verbas em dívida, um simples parceiro de negócios?
 
É por tudo isto que o Partido Socialista da Nazaré lembra ao Eng. Jorge Barroso que não, não venda mais ilusões. O Comunicado do PS nunca diz que não há apoio social no Concelho, é o Eng. Jorge Barroso, talvez fruto do cansaço, que o invoca. O PS não prejudicou o Centro Social da Freguesia de Famalicão, o incumprimento do PSD sim. O PS o que quis foi lembrar o PSD da Nazaré que podemos não conseguir ajudar uma empresa que fecha portas, nunca poderemos é contribuir para estrangular um parceiro social. Mas essa, é uma matriz claramente socialista.
 
Fica o apelo a que não persiga o CSFF depois deste apelo público de ajuda. Refeições são fáceis de substituir, mas o cordão umbilical à comunidade, às pessoas, às famílias, se cortado deixará todos a perder. Honre os compromissos que assumiu e serão garantidos os apoios da Segurança Social em 2011. De outra forma, a população saberá pronunciar-se na devida altura. 

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