Prestação de Contas do Exercício Económico de 2010, da C.M.N. e S.M.N. - Declaração de Voto

 

A bancada do Partido Socialista considera a aprovação deste Relatório de Prestação de Contas, uma contribuição para o continuado disfarce de uma verdade, que, aparentemente, já nem o Sr. Presidente da Câmara Municipal da Nazaré consegue ocultar, o de que a sustentabilidade financeira da autarquia coloca em causa, também, a sustentabilidade económica e social da população do concelho da Nazaré.

      Vivemos um mandato em que continuamos com a contabilidade autárquica desalinhada; ultrapassou-se, uma vez mais o limite de endividamento; segundo vários estudos, como os do Instituto Nacional de Estatística e da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, entre outros, o pequeno concelho nazareno é dos mais desequilibrados ao nível financeiro, ainda assim, parece tudo uma alucinação, tanto no órgão executivo como fora dele.

      A população já sabe parte da verdade, pois sente na pele as medidas de uma política eleitoralista em que se contrata para ganhar eleições, sem qualquer rigor da causa pública, abdicando, desta forma, da criação de condições de auto-suficiência e sustentabilidade num concelho cada vez mais refém da imprevisibilidade do Turismo, isto na vila da Nazaré, já que nas freguesias de Valado dos Frades e Famalicão a situação é, nitidamente, pior.

É nesta época de grande crise económica, social e até política, que o país atravessa, que a Autarquia nazarena apresentou as soluções para um problema que gerou. Assim, a solução, afinal era fácil: Despedir quem, aparentemente, não faz falta, e aumentar indiscriminadamente impostos. É desta forma que a autarquia pretende resolver os problemas sacrificando, uma vez mais, a população com o aumento de impostos, taxas, gerando, desta forma, receitas. Mas sempre à custa dos contribuintes e, ainda por cima, afirmando que utiliza uma política de utilizador pagador e de poluidor pagador quando, em momento algum, foi assim que tem procedido.

      Neste momento, segundo os números defendidos pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Nazaré, nenhum munícipe pode dizer que não tem dívidas. Cada munícipe do Concelho da Nazaré deve quase dois mil euros. Infelizmente, acreditamos num valor superior. Este é um valor que no último triénio duplicou o que espelha bem a derrapagem para o abismo.

      A ausência de pagamento a fornecedores, funcionários, instituições de crédito, à Caixa Geral de Aposentações, e até ao Estado, só tem vindo a agravar as finanças destas instituições. Entretanto, foram apregoadas obras, projectos, cega-se o povo com a mentira, e agora diz-se que não se fazem por causa da crise mundial. Gostávamos que estas obras fossem feitas de imediato, contudo primamos pela veracidade, e, a verdade, o dinheiro não existe, nem nunca poderia existir com este modelo de gestão.

Com uma dívida de curto prazo é de quase dois terços; com a impossibilidade de renegociar a dívida, como foi feito no Prede, este nosso município encontra-se em falência, e não é altura de avançar mais, pois quando se está nesta situação ou se espera por um milagre, algo em que não acreditamos que aconteça, ou então deve-se recuar.

O responsável por esta situação extrema tem um nome: Eng. Jorge Barroso, já que é o responsável pelos destinos da estratégia concelhia há quase duas décadas. Contudo, é nestes tempos difíceis que, após o Sr. Presidente da Câmara da Nazaré ter faltado à votação do orçamento de 2011, agora retirou-se sem assinar o relatório e contas de 2010, não é esta atitude que pede num momento crítico da vida da nossa autarquia.

Gostaríamos de dizer as coisas de outra forma, mas não há volta a dar, ou a gestão do município muda muito ou, um dia destes, mudamos de município.

      Assim, nada mais nos resta senão alertar a população do concelho da Nazaré para o facto da verdade não se comprar nem se vender, e que por muito que a queiramos camuflar esta, um dia, surgirá, tal como se pode verificar e que, infelizmente, possa ser demasiado tarde para todos os habitantes do concelho da Nazaré.

 

 

Os Deputados da Bancada do PS:

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