Uma dívida sem fundo.

De cada vez que analisamos as contas da autarquia nazarena uma certeza e uma dúvida são garantidas. A certeza, a dívida aumentou. A dúvida, qual será o valor desta vez?

Os municípes nazarenos têm ouvido falar disto por anos a fio, mas agora, a cada conta de água, a cada passeio pela degradada marginal, de cada vez que olham para as ruas de uma Nazaré semi-iluminada à noite, sempre que com tristeza comentam que vivem numa terra suja, com falta de limpeza, perceberam que alguma coisa esteve mal este tempo todo.

E afinal, o que é que nos trouxe até aqui? Um projecto que vai fazer 20 anos à frente dos destinos da nossa terra. Um projecto que nos prometeu milhares de empregos, marina, zona empresarial, teleférico para a pederneira, mercado municipal novo, parque subterraneo na marginal, tudo ou quase tudo o que valia a pena prometer.

A verdade é que o culminar deste projecto foi agora descoberto. A grande concretização desta governação foi desmascarada com uma exigência de Vitor Gaspar e Miguel Relvas.

Ao exigir saber o valor da dívida nazarena, o PSD revelou a mentira do orçamento que nos tem sido apresentada. De repente sete milhões de euros que andavam desaparecidos, não existiam, tiveram que ser contabilizados e fizeram a dívida subir para mais de 42 milhões de euros, um valor que aumenta ano após ano.

À frente deste descalabro, desta dívida superior a dois mil e oitocentos euros que cada criança deve à nascença só por nascer no concelho da Nazaré, está um rosto bem conhecido: Jorge Barroso.

O presidente da Câmara Municipal da Nazaré que afirma não haver mais onde se possa cortar, esquece com certeza que a par do recorde de dívida que conseguiu, tem o recorde de vereadores remunerados. Sete vereadores custam a todos os nazarenos mais de 200 mil euros ano, ao que acrescem mais cem mil euros da profissionalização dos gestores dos serviços municipalizados.

É pois uma questão de opções que temos todos que analisar. Os números do relatório de contas de Gerência de 2011 da Câmara e Serviços Municipalizados, reflectem opções que foram tomadas ao longo do tempo e que nos trouxeram ao ponto de desastre actual.

Aqui deixo um exemplo simples do que está em causa.

Sete vereadores remunerados encontraram a solução de aumentar repentinamente e de forma brutal tarifários de água saneamento e residuos sólidos, depois de anos sem tocar nos preços. Um quadro pela primeira vez profissionalizado dos serviços municipalizados, está ao lado dos sete vereadores que afirmam que a melhor forma de gestão para isto tudo é entregar a privados.

São este tipo de soluções contraditórias, sem coerência, e que convictamente afirmo, contra o sentir da população, que agora se traduzem numa dívida sem fundo.

Um estudo, mais um, com a solução fácil do pagamento da dívida a 20 anos foi agora anunciado. Nas facilidades apregoadas pelo PSD já nenhum dos habitantes do concelho acredita. No entanto, nas afirmações do Eng. Jorge Barroso, alguns alertas vão soando para a população.

No mínimo, vamos estar a pagar vinte anos a herança deste executivo laranja.

Walter Chicharro

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